O pior janeiro da minha vida

Toda situação, boa ou ruim, traz aprendizados.

Janeiro é sempre um mês de renovação, de novas esperanças, novos anseios, um mês onde todos visam entrar com o pé direito, onde muitos iniciam novos projetos, novos desafios, novos ares. Por ser o mês subsequente ao final do ano, todos demarcam esse mês para novos inícios.

Eu não sou muito diferente, no final do ano eu resolvi colocar uma meta na minha vida esportiva: Atingir 10.000km rodados de bicicleta em 2018. Não é muito fácil, já que depende de muito tempo investido, horas e horas pedalando. Pra se ter uma ideia, pra bater essa meta pedalando 6 dias por semana, seriam cerca de 312 dias de atividades, onde cada dia eu teria que pedalar perto de 32KM. Parece pouco né? Mas nem sempre estamos dispostos, bem de saúde, ou com tempo livre. Então eu sabia que teria que pedalar uns 50km por dia pra manter a meta em dia.

Tudo certo até aí, ano acabando, Natal comemorado, e eis que dia 30/12/2017 eu acordo e para minha infelicidade meus olhos estavam doendo, e muito. Eu havia contraído conjuntivite! Esse foi meu ano novo, sem poder comemorar com todos os familiares, já que muitos também contraíram conjuntivite.

A conjuntivite me afetou profundamente, primeiro porque me deixou longe da minha meta, visto que, eu dependo de lentes de contato para enxergar normalmente, e sabemos que alguém com conjuntivite deve ficar longe de lentes de contato. Segundo que eu não poderia trabalhar, já que meu óculos é muito antigo e não me fornece a visão necessária para usar o computador. Então já viu né? Foram 15 dias afastados das minhas duas paixões pessoais: Pedalar e trabalhar!

Os dias iam se passando, e minha meta de pedal ia me torturando, cada dia a menos pedalando era 32km mais longe de atingir minha meta!

Eis que eu vou melhorando da conjuntivite, minha esposa também já está melhor, e então vem o acontecimento mais trágico de janeiro: A conjuntivite que minha esposa contraiu lhe deu febre, que ocasionou a interrupção de uma gravidez de 9 semanas. Triste, realmente muito triste. E lá fomos nós para o hospital, internaram-na, e fizeram o procedimento de curetagem, que traz um stress enorme que se mistura à tristeza da perca. É um acontecimento bem doloroso da qual passamos.

Passado esse evento, eu consegui retornar ao meu trabalho, e finalmente consegui começar a pedalar, perto do dia 15 de janeiro. Foi uma semana da qual pode-se chamar de normal.

Eis que se aproxima o final de semana, e então, eu começo a sentir algumas dores que eu equivocadamente julguei serem hemorroidas (já tive outras vezes, sem dores, mas tive). É uma enfermidade constrangedora para alguns, pra mim é muito chata e inconveniente. A semana seguinte se inicia e a dor não passa, e eu teimoso, não largo a bicicleta, e então, a dor vai piorando. Eu já não conseguia mais pedalar, pelo medo da dor aumentar.

Enfim, no dia 25, fui ao médico para verifica do que se tratava, nesse ponto eu já trabalhava em home office, pois tava muito difícil ficar na empresa sentido dores o tempo todo, é muito incômodo. O médico também julgou ser hemorroidas, e pediu um exame por imagem que seria feito somente no dia 30/01. Eu teria que passar mais alguns dias com dores, para dia 30/01 descobrir o que é para então iniciar um tratamento. Imagine o lado psicológico, conviver com uma dor que lhe impossibilita de se movimentar, que a cada movimento te dá uma pancada mandado ficar imóvel, por dias!

No final de semana eu surtei, passei por um ataque de pânico e fui parar no pronto socorro com a pressão artéria a 8/6, braços e pernas formigando, quase desmaiando e stress e ansiedade. Foi um episódio bem estranho. Ataque de pânico é algo muito ruim, o único pensamento que eu tinha é que já não havia mais como me livrar da dor, não tinha remédio que me tirasse a dor. Então na madrugada da segunda-feira, tomando médicamentos mais fortes até o amanhecer, a dor sessou e pude ir pra casa.

Eu sabia que a dor voltaria, então retornei ao médico que me atendera na semana anterior, antes mesmo de fazer o exame que ele solicitou, e disse que já não aguentava mais tanta dor. Ele então me examinou novamente e constatou que eu eu tinha na verdade um absesso perianal e não hemorroidas. Absesso é um coágulo, que infecciona e começa a inchar, o que aumenta muito a pressão local causando dores muito fortes. O médico então me prescreveu um antibiótico e me mandou pra casa novamente. Passado dois dias, na quarta feira retornei ao médico, as dores estavam ainda piores, mesmo com o antibiótico. Então, depois de muitos e muitos anos, fui internado!

Com a internação venho algum alívio, primeiro psicológico, porquê agora eu estava sendo cuidado o tempo todo. Fiz uma ressonância e o médico viu que a única forma de tirar a dor é resolve o problema era através de uma cirurgia. Eu sempre temi passar por uma cirurgia, mas com essa situação eu estava muito ansioso para que fizessem logo pra dor ir finalmente embora.

Então, no dia 2, já em fevereiro, chegou a hora de passar pela cirurgia que me libertaria da dor. Fiquei um pouco nervoso, principalmente pelo fato da anestesia ser a Raqui (na coluna). Na hora do início dos preparos, a anestesista aplicou um medicamento na minha veia, olhei pro aparelho de aferir pressão e então, apaguei, acordando tempos depois já no corredor aguardando a recuperação da anestesia, sem sentir as minhas pernas e principalmente, sem dor nenhuma!!! Que alegria! Eu estava livre da dor, conforme o planejado!

No dia seguinte recebi alta médica, e neste momento recebi uma notícia bem chatinha: Eu terei que ficar no mínimo dois meses longe do ciclismo. É bem triste isso, eu amo muito o ciclismo, é um momento só meu, onde estou fazendo algo totalmente em meu favor, é onde controlo meu peso (como muito e pedalo muito pra manter a boa forma).

Olhando para este mês de janeiro eu percebo o quão pequenos são os problemas que muitos enfrentamos no dia a dia, que às vezes potencializamos, fazendo-os maior do que são. Aprendi também que cuidar da alimentação é algo que devemos levar em conta todos os dias, para não pagar um preço absurdo e doloroso no futuro.

Agora, já sem dores, com um medo enorme da dor voltar, vou respeitar meu resguardo de uma semana sem fazer nada que requeira esforço, e nada que me traga stress. Atestado médico não é para ficar sem trabalhar, é para se recuperar completamente!

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